Medicina do Estilo de Vida e Terapias Integrativas

MEDICINA DO ESTILO DE VIDA NAS práticas INTEGRATIVAS

Medicina do estilo de vida é o que realmente gera a transformação na vida de seus clientes e pacientes. Nenhuma Prática Integrativa e Complementar (PICS) alcança resultados sustentáveis se não mudar o estilo de vida. E isso não é a minha opinião, é o que a ciência vem evidenciando através de diversos estudos. Não existe nenhuma abordagem nas PICS que produza mudança efetiva e sustentável sem a mudança de estilo de vida. Por mais efetivo que o Protocolo Terapêutico adotado seja (aliás, já leu sobre como fazer protocolo terapêuticos efetivos?). E, para ser bem honesto, isso não acontece nem na medicina convencional, nem em qualquer outra abordagem de cuidado em saúde.

PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES EM SAÚDE

Muita clientes, pacientes e adeptos das PICS procuram a prática mais efetiva e assertiva para trabalhar as suas queixas, desde o floral de Bach mais efetivo, o óleo essencial correto, até a constelação familiar “assertiva”… Não importa a Prática Integrativa, essa mentalidade transforma tanto a medicina convencional quanto as Práticas Integrativas e Complementares em uma espécie de farmácia espiritual onde troca-se o comprimido pela sessão, mas mantém-se a mesma lógica. A pessoa recebe algo e espera que a vida se reorganize sozinha, de forma passiva.

Só que quando se trata do corpo humano e dos sistemas biológicos que o compõe, isso não funciona exatamente assim. Emoções não funcionam assim. Traumas emocionais não funcionam assim. Se a pessoa sai de uma sessão, consulta ou atendimento com um profissional que atua com as PICS e retorna para o mesmo padrão de sono, alimentação, sobrecarga e estresse, falta de movimento, vínculos adoecidos e zero espaço interno de escuta, qualquer intervenção, da mais tecnológica à mais natural e sutil, vai virar só alívio pontual. A medicina do estilo de vida entra justamente aqui para entregar a transformação, sustentação, coerência e continuidade às mudanças que o processo desperta.

Quando você entende isso, vender sessões com práticas de maneira isolada se torna raso. A pergunta deixa de ser “qual prática funciona mais?” e passa a ser “como essa prática, dentro de um Protocolo Terapêutico efetivo, ajudará esse cliente/paciente a mudar o seu jeito de viver?”.

O QUE A CIÊNCIA MOSTRA SOBRE A MEDICINA DO ESTILO DE VIDA

O primeiro estudo que eu quero falar sobre é um soco elegante na ideia de que só conversar resolve tudo. Esse ensaio clínico mostrou que um programa estruturado de mudança alimentar, baseado em padrões saudáveis, reduziu de forma significativa os sintomas de depressão quando comparado apenas a suporte social. Em outras palavras, mexer na rotina alimentar foi determinante para a melhora emocional, não só “conversar sobre o problema”. A comida deixou de ser pano de fundo e virou ferramenta terapêutica central.

No Diabetes Prevention Program, a conversa é parecida, mas com foco em metabolismo. Nesse estudo, a intervenção intensiva em estilo de vida (alimentação, perda de peso e atividade física) reduziu o risco de evolução para diabetes tipo 2 mais do que o uso de medicação isolada. Ou seja, o corpo respondeu melhor quando a pessoa mudou a vida, não apenas quando tomou um remédio. Estilo de vida, foi a base importante para os resultados.

Já neste terceiro estudo que eu quero falar, o recado é ainda mais ousado. Um pacote combinado de mudanças como dieta, exercícios, técnicas de manejo do estresse e apoio em grupo, levou à regressão de placas de aterosclerose em pacientes com doença coronariana. A estrutura do estudo deixa claro que não foi um único recurso “milagroso”, mas um conjunto de mudanças de estilo de vida que transformou o desfecho clínico.

MEDICINA DO ESTILO DE VIDA NAS PRÁTICA INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES

Diante desses dados, a Medicina do Estilo de Vida deixa de ser um “plus a mais” (rs), e passa a ser o alicerce. Se em depressão, diabetes e doença cardíaca os melhores resultados aparecem quando a pessoa se envolve ativamente na mudança de alimentação, movimento, manejo de estresse e relações, por que seria diferente nas Práticas Integrativas? Não é. Não existe Reiki, Constelação, Auriculoterapia, Meditação, Thetaheling, Barras ou qualquer outra abordagem que sustente transformação profunda enquanto a vida permanece organizada para adoecer.

Na minha prática, eu não só aplico isso, como ensino para todos os meus alunos, a medicina do estilo de vida é um dos pilares centrais do trabalho em Práticas Integrativas. Comigo, nenhum cliente sai apenas “aliviado” com o espiritual trabalhado. Todo atendimento termina com um acordo claro de mudança de estilo de vida e de rotina. Pode ser algo pequeno ou algo maior, vai depender de cada caso. O ponto é que a sessão dispara um movimento, mas quem consolida esse movimento é a vida real da pessoa.

Quando o terapeuta assume essa postura, ele deixa de ser “vendedor e prestador de técnica” e passa a ser facilitador de transformação. Medicina do estilo de vida vira a ponte entre o insight da sessão e a nova forma de existir no mundo.

SEM MUDANÇAS NÃO HÁ TRANSFORMAÇÕES

Logo, podemos inferir a partir desses estudos e da prática clínica que mudar o estilo de vida é condição necessária para qualquer mudança consistente. Não importa se estamos falando de intervenções convencionais ou de Terapias Integrativas: elas só ganham potência real quando encontram um corpo, uma rotina e uma vida em processo de mudança.

Isso não significa culpabilizar o paciente ou romantizar a mudança, muita gente não tem condições imediatas de transformar tudo. Significa reconhecer que qualquer passo, por menor que pareça, é parte do tratamento: um copo de água a mais, cinco minutos de respiração consciente, um limite colocado numa relação adoecida, um horário de dormir mais respeitado. Em uma analogia rápida, a técnica terapêutica abre a porta e o estilo de vida atravessa.

Quando você, como terapeuta, internaliza essa lógica, seu trabalho muda. Você passa a ver cada sessão como uma oportunidade de renegociar pactos com a vida, não só com o sintoma. E, quando o cliente entende isso, ele para de procurar milagres rápidos e começa a construir, com você, um caminho de transformação física, emocional, relacional e espiritual.

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Até o próximo, Murilo.

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